RESUMO A Cava de Viriato é um dos mais emblemáticos sítios arqueológicos do nosso país, mas também um dos mais enigmáticos. Trata-se de um recinto de planta octogonal com cerca de 38 ha interiores, e em que cada lado do octógono tem em...
moreRESUMO
A Cava de Viriato é um dos mais emblemáticos sítios arqueológicos do nosso país, mas também um dos mais enigmáticos. Trata-se de um recinto de planta octogonal com cerca de 38 ha interiores, e em que cada lado do octógono tem em média, pelo lado exterior, 270 m, perfazendo o perímetro de cerca de 2160 m. Esta estrutura foi construída utilizando unicamente os recursos locais, escavando-
se um fosso até aos níveis freáticos e usando-se a terra removida na
construção da muralha que atingiria cerca de 7m. Esta foi perfeitamente compactada e provavelmente terá sido encimada por uma paliçada.
Conhecido e estudado desde o século XVII por diversos e reputados autores, este sítio arqueológico continua a esconder a sua fundação e função original. Neste artigo apresenta-se alguns dados dos últimos trabalhos realizados sobre a Cava e pistas para uma nova interpretação deste monumento classificado desde 1901 como Monumento Nacional.
Trata-se de uma proposta que pretende lançar mais dados para a interpretação e datação deste imponente monumento, cujos elementos indiciam uma construção durante a Alta Idade Média.
ABSTRACT
Cava de Viriato is one of the most emblematic archaeological sites in Portugal, but it is also one of its more enigmatic. It is an octagonal enclosure with ca. 38 ha in area, ca. 270 m long in each side of the octagon, thus making a total 2160 m in perimeter. This structure was built exclusively with local materials through the digging of a ditch that crossed the water table and using the removed earth to build a wall that reached around 7 m height. The latter was well compacted and may have been topped with a palisade.
Known and studied since the seventeenth century by diverse and reputed authors, this archaeological site’s date of foundation and original function is still unknown. Some recently-obtained data and new research topics are presented in this contribution aiming at a renewed interpretation of this site, which is classified as National Monument since 1901.
This proposal intends to provide new insights to the interpretation and dating of this imposing monument, whose available data suggests its building during the Early Middle Ages.
Catarina Tente, Hugo Baptista, João Pedro Tereso, Margarida Cércio, João Luís Veloso, Cláudia Oliveira, Luís Seabra, Catarina Meira, Gabriel de Souza, Tomás Cordero Ruiz, Manuel Luís Real RESUMO O sítio arqueológico da Senhora do...
moreCatarina Tente, Hugo Baptista, João Pedro Tereso, Margarida Cércio, João Luís Veloso, Cláudia Oliveira, Luís Seabra, Catarina Meira, Gabriel de Souza,
Tomás Cordero Ruiz, Manuel Luís Real
RESUMO
O sítio arqueológico da Senhora do Barrocal localiza-se no concelho de
Sátão, ocupando um dos rebordos da ribeira da Coja, afluente do Dão. Este é um território montanhoso cuja paisagem está dominada pelas formações rochosas graníticas. O povoado é de pequena dimensão e implanta-se numa elevação de tors graníticos. Foram aqui realizadas três campanhas de escavação arqueológica (2014 a 2016), cujos dados estão ainda em fase de estudo. Todavia, alguns dos resultados podem já ser abordados e os mesmos revelam a importância que este sítio
tem para a compreensão dos séculos X e XI na região beirã.
As escavações arqueológicas realizadas permitiram identificar espaços habitacionais e de armazenagem, uma estrutura defensiva em pedra e abundantes coleções de artefactos e de ecofactos. A mais impressionante (pela quantidade e variedade) é a carpológica. As sementes encontravam-se armazenadas num compartimento de uso doméstico, tendo-se conservado devido à sua carbonização ocorrida na sequência de um incêndio que afetou a totalidade do sítio. Estes
vestígios constituem uma das maiores coleções de sementes alto medievais portuguesas, o que permitirá avançar no conhecimento sobre as formas de exploração dos recursos por parte das comunidades rurais desta época. Também entre os vestígios arqueológicos se registaram a ocorrências de cerâmicas exógenas à região, o que é uma novidade neste tipo de povoados e cronologia. Há ainda elementos arquitectónicos que possibilitam a associação do povoado a um templo religioso, que terá sido erguido ou rededicado em 971.
O presente artigo é assim uma abordagem aos primeiros dados arqueológicos deste sítio de excepcional importância científica.
ABSTRACT
The archaeological site of Senhora do Barrocal (municipality of Sátão) is
located on the right bank of the Coja stream, a tributary of the River Dão, in a mountainous landscape characterized by granitic outcrops. This is a small settlement built on top of massive granitic tors. Three excavation seasons took place between 2014 and 2016. These are presently under study but already available results reveal the importance of this site
to the study of the 10th and 11th centuries in the Beira Alta region.
Indeed, the archaeological excavations allowed the identification of habitation and storage areas, a defensive structure built in stone, and abundant assemblages of artefacts and ecofacts. A large quantity and variety of seeds stand out among the latter. These were stored in a domestic facility and were preserved due to its carbonization during a fire that affected the whole site. This is one of the largest Early Medieval botanic assemblages in Portugal, thus providing crucial insights on the resource exploitation strategies undertaken by these rural communities.
Also, some imported pottery productions were found among the artefactual remains, which is an unexpected find in this type of settlements and time period. There are also architectonic remains showing a relation between Senhora do Barrocal and a nearby religious temple that may have been built in AD 971.
This contribution is therefore a first approach to the ongoing research on this scientifically exceptional archaeological site.
O presente projeto (2016-2019) visa o estudo do património histórico-arqueológico vouzelense. Encontra-se estruturado em quatro eixos de investigação — levantamento toponímico e documental, prospeção arqueológica, estudo de materiais...
moreO presente projeto (2016-2019) visa o estudo do património histórico-arqueológico vouzelense. Encontra-se estruturado em quatro eixos de investigação — levantamento toponímico e documental, prospeção arqueológica, estudo de materiais conservados em museus, e escavação de sítios selecionados — que produzirão os conhecimentos científicos necessários para a valorização futura daquele património. O território é tratado diacronicamente, desde a Pré-História (o megalitismo em particular) à Idade Média, incluindo os vestígios de mineração até épocas mais recentes. Como resultado final, obter-se-ão não apenas as bases programáticas daquele projeto de valorização, mas também um inventário detalhado do património, permitindo a atualização e aprofundamento da carta arqueológica já existente, com dados inéditos e outros que se encontram por ora dispersos.
Real, Manuel Luís – Inovação e resistência: dados recentes sobre a antiguidade cristã no ocidente peninsular, sep. de “IV Reunió d’Arqueología Cristiana Hispànica”, Barcelona, Institut d’Estudis Catalans – Universitat de Barcelona, 1995,...
moreReal, Manuel Luís – Inovação e resistência: dados recentes sobre a antiguidade cristã no ocidente peninsular, sep. de “IV Reunió d’Arqueología Cristiana Hispànica”, Barcelona, Institut d’Estudis Catalans – Universitat de Barcelona, 1995, pp. 17 – 68.
Real, Manuel Luís – O Convento da Costa (Guimarães). Notícia e interpretação de alguns elementos arquitectónicos recentemente aparecidos, sep. de “Actas do Congresso Histórico de Guimarães e sua Colegiada”, vol. IV, Guimarães, s.e., 1981,...
moreReal, Manuel Luís – O Convento da Costa (Guimarães). Notícia e interpretação de alguns elementos arquitectónicos recentemente aparecidos, sep. de “Actas do Congresso Histórico de Guimarães e sua Colegiada”, vol. IV, Guimarães, s.e., 1981, pp. 463 – 475.
Real, Manuel Luís – A igreja de S.Pedro de Ferreira. Um invulgar exemplo de convergência estilística, sep. de “Paços de Ferreira – Estudos Monográficos”, Paços de Ferreira, s.e., 1986, pp. 247 – 294.
Real, Manuel Luís – O Mosteiro de Fráguas no contexto do pré-românico da Beira Interior (Portugal), in Barroca, Mário Jorge; Fernandes, Isabel Cristina F. (coord.) – Muçulmanos e Cristãos entre o Tejo eo Douro (Sécs. VIII a XIII),...
moreReal, Manuel Luís – O Mosteiro de Fráguas no contexto do pré-românico da Beira Interior (Portugal), in Barroca, Mário Jorge; Fernandes, Isabel Cristina F. (coord.) – Muçulmanos e Cristãos entre o Tejo eo Douro (Sécs. VIII a XIII), Palmela, Câmara Municipal de Palmela e Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2005, pp. 275 – 292.
Barroca, Mário Jorge; Real, Manuel Luís – As caixas-relicário de São Torcato, Guimarães (Séculos X - XIII), Arqueologia Medieval, 1, Mértola, Campo Arqueológico de Mértola, 1992, pp. 135 – 168.
Real, Manuel Luís – O românico condal em S. Pedro de Rates e as transformações beneditinas do séc. XII, sep. de “Boletim Cultural da Póvoa de Varzim”, XXI (1), Póvoa de Varzim, s.e., 1982.
Real, Manuel Luís; Sá, Pedro – O mosteiro de Roriz na arte românica do Douro Litoral, sep. de “Actas do Colóquio de História Local e Regional”, Santo Tirso, s.e., 1982.
Real, Manuel Luís – Convento da Costa. História e Arqueologia, Guimarães, UAUM e Museu Alberto Sampaio, 1980.
Real, Manuel Luís – O projecto da catedral de Braga, nos finais do século XI, e as origens do românico português, in IX Centenário da dedicação da Sé de Braga. Congresso Internacional. Actas, vol. I, Braga, Universidade Católica...
moreReal, Manuel Luís – O projecto da catedral de Braga, nos finais do século XI, e as origens do românico português, in IX Centenário da dedicação da Sé de Braga. Congresso Internacional. Actas, vol. I, Braga, Universidade Católica Portuguesa e Cabido Metropolitano e Primacial de Braga, 1990, pp. 435 – 489.
Real, Manuel Luís – Escavações arqueológicas no Morro da Sé, sep. de “Boletim Cultural da Câmara Municipal do Porto”, 2ª Série, 3 – 4, Porto, Câmara Municipal, 1985 – 86, pp.